É preciso discutir Salvador e RMS

No mundo, o crédito imobiliário representa 70% do volume de empréstimos para pessoas físicas; no Brasil, menos de 20%. Se compararmos o crédito imobiliário em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), veremos que nos EUA um valor equivalente a 78% do PIB é comprometido com a casa própria, na Espanha são 46%, no Chile, 15%, no México, 11%, e no Brasil, minguados 3%.

No governo atual, do presidente Lula, foi deslumbrada uma saída com o programa Minha Casa, Minha Vida. Na década de 80, nós tivemos um baque com a extinção do Banco Nacional de Habitação. Ele era voltado para programas habitacionais. Isso afetou drasticamente o mercado imobiliário. De lá pra cá, nenhuma secretaria adotou a missão de fomentar a produção imobiliária, principalmente a voltada para baixa renda.

Os indicadores para o crescimento do mercado imobiliário brasileiro são a capacidade e disposição de financiamento do sistema bancário público e privado, prazos de financiamento mais longos, manutenção de níveis de emprego, crescimento da oferta de crédito, elevação média da renda e os juros baixos.

Segundo dados divulgados pela Abecip (Associação Brasileiras das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), nos quatro primeiros meses de 2009, foram financiadas 78.552 unidades habitacionais com recursos da poupança. Aumento de 6,31% em igual período do ano passado. Ou seja, neste primeiro quadrimestre, nós já superamos o quadrimestre passado.

Quando se instalou a crise financeira mundial (setembro de 2008), tivemos problemas no setor, em função da escassez de crédito. Este ano já há expectativa que no último quadrimestre as vendas sejam bem melhores que o quadrimestre passado. Temos uma baixa inadimplência no setor, em torno de 1,5%, o que ajuda a fomentar mais crédito e baixos juros, e isto se deve em razão da segurança jurídica que protege o imóvel, como é o caso da alienação fiduciária.

O déficit habitacional da Bahia é de 600 mil unidades, e o de Salvador, estimado em 80 mil. Em 2001, Salvador tinha 2.443.107 habitantes. Em 2007este número subiu para 2.892.625 pessoas. Hoje a cidade tem mais de 3 milhões de habitantes. A taxa de crescimento anual na capital do Estado é de 1,8% e o crescimento populacional anual da capital é de 74.919 habitantes. Camaçari, em 2001, tinha 161.727 habitantes. Em 2007, subiu para 220.495. A taxa de crescimento anual é de 9.794 habitantes. Depois vem o município de Lauro de Freitas, com uma população em 2001 de 113.543 habitantes, em 2007 o número subiu para 144.492 e a taxa de crescimento por ano é de 2,7%. O crescimento populacional anual é de 5.158 pessoas.

Estes três municípios juntos dão um crescimento populacional anual de 89.871 pessoas. Isso sem contar com Simões Filho. É uma cidade crescendo por ano dentro da Região Metropolitana de Salvador (RMS), e a pergunta é: como levar a essa população infraestrutura, segurança, saúde, educação e moradia?

Até 1980, muita coisa foi criada. Túnel Américo Simas, avenidas de vale, Vale do Canela, Avenida Garibaldi, Avenida Antônio Carlos Magalhães, Avenida Paralela. De 80 pra cá, houve uma diminuição drástica em investimentos em infraestrutura e só foi feita a quarta via da Paralela, a Luís Eduardo Magalhães, alguns viadutos e mais nada.

Precisamos discutir melhor os investimentos na cidade, caso contrário vamos ficar mais 20 anos sem nada ser feito. Salvador é uma península, e a questão do crescimento populacional e como dotar a cidade de infraestrutura deve ser uma preocupação constante de todos nós. Salvador e região metropolitana precisam de bons hospitais e uma melhor infraestrutura para se desenvolver.

Precisamos começar a discutir agora um novo PDDU que integre os municípios da região metropolitana. Não é possível ficarmos pensando isoladamente as cidades da RMS, quando a proximidade geográfica salta aos olhos e os problemas também. Note-se que á temos um transporte público insuficiente que atende à região metropolitana.

Comentários
Mauricio Melo's Gravatar Sim, realmente a forma mais inteligente para solucionar os problemas de Salvador e RM, são os debates,para se definir as melhores opções, porém a pólitica esta em briga em 2010 eleições, e com isso os problemas de infraestrutura vão aumentando, dificil fechar equação! (População crescente, infraestrutura necessaria, transporte, saude, moradia, menor taxa de juros, segurança entre outros) muitos obstaculos, pouco recursos e tempo.
Necessario os debates acontecerem antes das eleições! Bom tema, para acontecerem as reais melhoras!
# Postado por Mauricio Melo | 30/10/09 13:38
Mauricio Matos de Melo's Gravatar Necessário que a politica atual, ou futura, consiga colocar o PAC, (Plano de aceleração do crescimento),
em pratica o quanto antes, estamos no inicio do seculo XXI e a população aumentando.
# Postado por Mauricio Matos de Melo | 11/11/09 17:54
Vinicius Factum's Gravatar Vendo apt. 4/4, 01 suíte, 166m2, armários embutidos, blindex, varanda vista mar, lavabo, dependências completas, 01 garagem.
# Postado por Vinicius Factum | 18/01/10 17:46
PAULO CESAR BASTOS's Gravatar FEIRA DE SANTANA:UMA METRÓPOLE REGIONAL PARA VIABILIZAR A METRÓPOLE DA CAPITAL

A discussão sobre Salvador e sua RMS vai muito além dos limites da região metropolitana de nossa Capital. Passa , sobretudo ,por uma implantação da nossa primeira Metrópole Regional em Feira de Santana. Pólo econômico do território do Portal do Sertão e de outros municípios tradicionalmente interligados, a Cidade Princesa precisa ser de direito a metrópole que já é de fato.

É notório que o desenvolvimento interiorizado inibe o êxodo para as grandes cidades do litoral. Tal constatação prescinde de elaboradas teses e/ou estudos socioeconômicos, visto ser visível que a vacina contra o mal do inchamento urbano é a melhoria da qualidade de vida no interior, com infraestrutura urbana e rural adequada , educação ,saúde pública e lazer sempre acompanhadas da geração de trabalho e renda, vale ressaltar, em todos os segmentos produtivos, vez que viver no interior não significa ,apenas, viver da roça.

Feira de Santana é maior do que sete capitais brasileiras. Abriga mais de 600 mil habitantes , com estimativas de uma população flutuante, fruto da secular influência regional, que poderá chegar até ao dobro. A cidade, onde termina o Recôncavo e começa o Sertão, urge um caminho inovador e adequado à sua importância para o desenvolvimento regional.

No presente cenário global da sociedade e economia do conhecimento, em que se vive um presente com visão de futuro, o bom uso da técnica e as boas práticas de uma administração pública moderna tornam-se imprescindíveis para a sustentabilidade desse progressista território sertanejo.

O país volta a ter um compromisso para crescer e desenvolver. Prova disso é essa segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento-PAC 2., com um foco prioritário para as Regiões Metropolitanas.

Feira de Santana precisa reforçar e aprimorar a sua posição no círculo virtuoso do progresso. Existem caminhos institucionais, políticos e administrativos para isso. O cenário é favorável, assim precisamos aproveitar a oportunidade e incentivar a continuidade das atitudes éticas e pragmáticas,mobilizando os setores produtivos, empresários e trabalhadores, a estrutura universitária, os governantes e legisladores no sentido de possibilitar, de direito o que já é de fato, a Feira de Santana cumprir o seu ideal de ser a Metrópole Regional.

PAULO CESAR BASTOS é engenheiro civil
# Postado por PAULO CESAR BASTOS | 25/01/10 13:51
Brito & Amoedo Imóveis | Brasil Brokers • © Copyright 2008
Produzido por: Click Interativo Multimídia. Todos os direitos reservados. BlogCFC.