A questão do crédito

Acho engraçado quando vejo pessoas preparadas comentando sobre a diminuição da taxa Selic. Principalmente quando falam sobre o impacto no consumo. Alguns dizem que o consumo vai aumentar, outros acham que a solução seria baixar mais 0,25% - aí sim, teríamos todos os problemas resolvidos. Ninguém comenta sobre os juros para o consumidor, aquele coitado que precisa que precisa usar o cheque especial, ou tomar algum tipo de empréstimo bancário.

Não sei quando vamos atentar para isso e exigir o reflexo imediato da comentada taxa nas linhas de financiamento para os que realmente necessitam. Não podemos nos contentar com taxa de cheque especial que passa de 7,77% para 7,69% ao mês, ou com a taxa de cartão de crédito baixando de 12,64% para 12,56% ao mês – todas praticadas pelo Banco do Brasil.

Quando tivermos juros decentes em todas as linhas de crédito, acredito que o nosso país possa ter um desenvolvimento maior e uma desigualdade social cada vez menor. E que não seja puxando quem está em cima para baixo. Em vez disso, trabalhando realmente para elevar o nível de consumo e de vida dos brasileiros mais carentes.

Imóvel como investimento

É até um tanto estranho falar de imóvel como investimento. Imagina-se que todo mundo sabe sobre o assunto. Pois desde que me conheço como gente, muito antes de enveredar pelo caminho da engenharia, já ouvia meu avô falar, e depois meu pai, que imóvel é um bem de raiz, que só faz mal a quem vende e é sempre bom para quem compra.

Tem um ditado que diz que só se aprende apanhando. E nesses últimos meses muita gente apanhou. De outubro de 2008 até hoje, os que apostaram a maior parte do patrimônio no mercado financeiro viram, de uma hora para outra, toda a sua economia evaporar.

Mesmo sem abordar a volatilidade do dinheiro em contraponto com um bem de raiz, o imóvel volta a ser financeiramente um bom investimento. Por que? A tendência dos juros é cair. A SELIC que remunera as grandes aplicações tende, até o final do ano, chegar a casa de um dígito, em torno de 9% a.a.. Assim, a remuneração mensal bruta, sem dedução do IR, ficará por volta de 0,7% a.m.. O aluguel comercial está pagando entre 1,2% e 1,5% a.m., e o residencial em torno de 1% a.m.. Fora a valorização do imóvel! Mas é preciso ficar atento quanto à manutenção - alguns condomínios não fazem os reparos necessários para que o imóvel continue a valorizar. Dessa forma, às vezes o investidor tem de migrar o investimento para imóveis mais modernos, acompanhando o vetor de crescimento da cidade. Para isso, o mercado imobiliário conta com imobiliárias e consultores experientes e atentos para assessorar os clientes e propor o momento certo para a mudança da carteira de investimento em imóveis.

Vem ou não vem?

Aguardamos ansiosamente o tão propagandeado programa habitacional do governo federal. A expectativa é de que ele possa ajudar em dois sentidos: primeiro, como uma forma mais agressiva de diminuir o déficit habitacional, que ao longo dos anos só tem aumentado; segundo, para minimizar o efeito conjuntural da crise, criando rapidamente milhares de empregos pelo Brasil à dentro.

Torçamos que o programa não se restrinja ao Sul e Sudeste, como sempre, em detrimento das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste – as mais necessitadas. E que as regras sejam claras, para que todos possam participar e não apenas beneficiar alguns. É bom que fique claro também que o subsídio a ser ofertado deverá ir, em sua totalidade, para o comprador do imóvel. Estaremos atentos para que os recursos sejam bem aplicados e, dessa forma, evitar que o setor como um todo, seja prejudicado pelos próximos anos.

Distorção de função

Mais uma vez o Governo Federal erra quando propõe a criação de uma lei com o objetivo de permitir que a Caixa e o Banco do Brasil comprem outras instituições financeiras e, no bojo da lei, admite que esses bancos também poderão comprar construtoras.

Eu pergunto: os bancos citados, principalmente a Caixa que foi criada para ser uma instituição financeira com fins sociais, vão ser sócios de construtoras? Quais construtoras serão essas? Que critério será usado para a escolha?

Vale à pena enfatizar que o setor imobiliário é contra. Quais serão os interesses envolvidos na proposta?

Nós, do mercado imobiliário, defendemos o financiamento, mais ágil e com menos burocracia, à produção e ao mutuário. É assim que se atende a um maior número de pessoas de uma forma transparente e mais democrática.

Governo vai anunciar medidas para habitação popular, diz CBIC

O governo federal "comprou a idéia" de lançar um novo projeto de habitação popular, segundo informou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, após reunião de empresários com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

"Esse é um grande programa que o Brasil precisava para atender famílias que ganham até cinco salários mínimos. Vai vir com uma série de novidades, como subsídios, desoneração do produto final, cadastro positivo, cartório e desburocratização", afirmou Safady Simão a jornalistas após o encontro.

A ideia, disse ele, é de construir oito milhões de novas moradias populares em um prazo de 15 anos, no valor total de R$ 350 bilhões, sendo 300 mil moradias em 2009. "Estamos pedindo redução do custo para o produto final, para o pobre", disse Safady. Ministros Henrique Meirelles (primeiro, da dir. para a esq.) e Guido Mantega (segundo) em reunião com empresários. Segundo ele, o governo deve anunciar "proximamente" medidas para o setor de construção civil. "Haverá um mix de investimentos com recursos do orçamento da União, do FGTS, do FAT, concessões públicas e dinheiro privado. Tem dinheiro novo também. Haverá reorganização de prioridades", disse Safady. O representante da construção civil avaliou que há uma decisão do governo de aumentar investimentos no setor. "Vai ser assim que se garante o emprego e o crescimento (...) As medidas têm que ser rápidas", disse ele.

Colaboração Gerson Brasil, editor de Economia da Tribuna da Bahia

Poupança voltará a ser atrativa

A tradicional caderneta de poupança tem a sua correção determinada pela variação da taxa referencial (TR) mais 0,5% ao mês. Em 2008, a aplicação rendeu cerca de 8%, enquanto a expectativa para o IPCA (inflação oficial) é de 6% e o IGP encostou em 10%. Em 2009 e a poupança pode voltar a ganhar um pouco mais de atratividade. Isso porque a expectativa é de queda de juros neste ano. O mercado financeiro acredita que no próximo dia 21 de janeiro o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduza os juros de 13,75% para 13,25% ao ano. Para o fim de 2009, a expectativa é de que os juros fiquem em 12% ao ano.

No ano passado, a aplicação perdeu um pouco sua atratividade por conta da subida de juros implementada pelo Banco Central. Os juros básicos, que estava em 11,25% ao ano no início de 2008, terminaram o ano passado em 13,75% ao ano - com o objetivo de tentar conter o crescimento da inflação.

Com isso, subiu a remuneração das aplicações em renda fixa que "concorrem" com a poupança, como os fundos ofertados pelas instituições financeiras (rendimento de 12% a 13% em 2008), os CDB's (Certificados de Depósitos Bancários) e até mesmo as vendas de títulos públicos pela internet efetuados pelo Tesouro Nacional - que têm rendimento próximo, ou igual, ao da taxa Selic.

Colaboração Gerson Brasil, editor de Economia da Tribuna da Bahia

Governo quer isentar cadeia da construção de IPI e IR

O governo federal na busca por alimentar a construção civil, geradora de impostos, e que no ano passado foi a responsável por uma grande geração de empregos, quer quer a desonerar o setor no que tange a tributos. A proposta inicial é isentar integralmente do pagamento de IPI e Imposto de Renda. Mas a ideia esbarra na necessidade do governo de garantir arrecadação suficiente para gerar caixa no final do ano. No âmbito do governo a discussão ainda está aberta.

Colaboração Gerson Brasil, editor de Economia da Tribuna da Bahia

FGTS pode destinar mais R$ 900 mi a fundo perdido

O governo quer usar parcela maior do lucro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em aplicações em títulos públicos para subsidiar empréstimos habitacionais a famílias de baixa renda. A ideia é elevar em cerca de R$ 900 milhões o dinheiro dos trabalhadores usado a fundo perdido.

A proposta consta do esboço do novo Plano Nacional de Habitação (Planhab), sendo negociado pelos ministérios das Cidades e da Fazenda e pela Caixa Econômica Federal para ser anunciado pelo presidente Lula até o final do mês, mas que encontra resistências dentro do próprio governo.

Pelas regras atuais do FGTS, é possível usar até 50% do lucro do fundo para reduzir o valor que famílias com renda até R$ 1.900 terão que financiar. Isso faz com que a prestação fique menor para esses mutuários. A medida em discussão prevê aumentar para 80% essa parcela e também ampliar a renda das famílias beneficiadas.

Colaboração Gerson Brasil, editor de Economia da Tribuna da Bahia

O dilema do crédito

Um dilema que costuma aflorar em épocas de crise começa a chegar ao Brasil. Diante da desaceleração na economia, com reflexos na renda e no emprego, qual é a melhor opção: estimular o gasto e o endividamento ou, ao contrário, inibi-los, na tentativa de aumentar a segurança para a travessia de águas turbulentas?

A discussão surge a propósito do grau de endividamento dos brasileiros, que aumentou muito nos últimos anos de bonança. De acordo com dados do Banco Central de junho, os mais recentes disponíveis, quase 17 milhões de pessoas deviam mais de R$ 5.000. O volume de endividados acima desse valor, alto para os níveis médios de renda no país, cresceu 19,3% em um ano.

Em outra ponta, o crescimento dos empréstimos consignados para aposentados do INSS também preocupa alguns analistas. Apesar da crise que já se abatia sobre o crédito em outubro, foram concedidos naquele mês R$ 198,4 milhões nessa modalidade, alta de 15% sobre setembro.

Segundo o Ministério da Previdência, 60% dos empréstimos consignados são concedidos a quem recebe até um salário mínimo mensal (R$ 415) -justamente a fatia mais vulnerável. Cabe ao governo, especialmente em relação ao universo dos aposentados, zelar para que o empréstimo consignado não se torne uma armadilha. As regras para essa modalidade já foram apertadas e podem ser restringidas ainda mais se for o caso. Mas o comportamento das autoridades no que diz respeito ao crédito, em geral, deve ser de incentivo. Trata-se de tentar mitigar o impacto, para o emprego e a renda, da atitude extremada dos bancos, que diminuíram abruptamente os empréstimos.

Se todos começarem a tomar a mesma atitude defensiva, os efeitos da desaceleração tenderão a se agravar. (Editorial da Folha de S. Paulo)

Colaboração Gerson Brasil, editor de Economia da Tribuna da Bahia

Brito & Amoedo Imóveis | Brasil Brokers • © Copyright 2008
Produzido por: Click Interativo Multimídia. Todos os direitos reservados. BlogCFC.